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“O Grão Imastigável” é a primeira publicação do autor que em cada um dos seus poemas tenta dar materialidade aquilo que à priori é da ordem do indizível. Sua poesia se caracteriza pela profusão de imagens e sentidos que nos remetem sempre à morte e à negatividade. Suas escritas são construídas pelas “ruínas” ao seu redor, por suas experiências mais dolorosas e dilacerantes. Por certo, é uma negatividade produtiva, pois é a partir dela que o autor conforma sua obra.
Feito artesanalmente pelo próprio autor, o livro “O Grão Imastigável” possui como conceito a literatura como alimento. Para Bruno Grossi, as pessoas precisam consumir mais livros, engolir palavras, devorar sentimentos... Não é a toa que o livro é servido aos leitores dentro de uma marmita.
Bruno Grossi Poeta e Artista – MG
A minha arte não é contemplável. É visceral. É negra. A parte oculta da mente possui a essência da dor. Para mim, o mundo é obscuro, cinza e degradante... O ato de associar a angústia contida num universo paralelo com o tempo real é bastante inspirador. Na minha arte, se destacam as lacunas contidas nas frases, nos traços, nos movimentos e na sutileza das palavras mortas.
Bruno Grossi é mineiro nascido em 1979. Poeta, videomaker e artista. Teve poemas publicados no Brasil e do Exterior. Recebeu prêmio e participou de festivais com seus trabalhos de vídeo-arte. Está lançando seu primeiro livro de poemas "O Grão Imastigável". E
www.caoxadrez.com/brunogrossi
Bruno Grossi nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. E é dessa terra, dessa gente, que busca suas inspirações. Como aconteceu com muitos mineiros, desde criança se envolveu com a literatura e com a arte.
Começou escrevendo, desenhando e lendo tudo que podia. Poemas, contos, quadrinhos. Além disso, produzia fanzines, tocava em várias bandas e divulgava a cultura e a arte. Criou a Revista Nota Independente, com o objetivo de alavancar e incentivar todo tipo de expressão artística.
O cinema, a ilustração e a pintura completam as áreas de atuação desse artista interdisciplinar e multimídia. Nas artes visuais, produz vídeos-arte e curtas-metragens experimentais e complexos, já premiado em festivais. Na literatura, viaja pelo que há de mais íntimo em seu ser. Caminha pelos sentimentos mais profundos e pela emoção. Navega pelo trágico... Para ele, dentro de cada ser há uma célula depressiva e má, há certo auto-desprezo, que surge da retraída angústia que vive em nosso interior. Isso o inspira e o envolve, fazendo-o escrever o que realmente sente, transformando-o em um “o outro”. Um outro completamente instigante e envolvente.
Cactos
A sombra me persegue
Sob a névoa.
Não consigo me mover.
Sou incompreendido,
Preso em um muro
Ou em meu próprio pensamento.
Meus olhos já não fixam em algum lugar,
Como a lua pára para te olhar.
Estes vilipendiados olhos
Doem, choram e imploram
Para que fiquem só.
Não consigo me livrar
Do infortúnio calar.
Sinto pessoas a me olhar,
Como um animal devora
A sua insípida carniça.
Creio que irão matar-me.
Sinto-me desprotegido, frágil, inútil.
Sinto-me sem amor, sem dor e sem desejo.
Já não sei o que fazer,
Procuro a solidão
Para que a minha trágica energia
Não contagie as pessoas.
Para que o meu olhar
Não cruze com os demais.
Assim terei meus próprios sentimentos,
Meu próprio coração,
Que a cada despertar
Encontra o silêncio.
Estou surdo e cego,
Estou inválido.
Submeto-me ao inoportuno desespero,
Ao incômodo calar.
Viver agora dói,
Não mais a quero.
A sombra me persegue
Sob a névoa.
Não consigo me mover.
Sou incompreendido,
Preso em um muro
Ou em meu próprio pensamento.
Meus olhos já não fixam em algum lugar,
Como a lua pára para te olhar.
Estes vilipendiados olhos
Doem, choram e imploram
Para que fiquem só.
Não consigo me livrar
Do infortúnio calar.
Sinto pessoas a me olhar,
Como um animal devora
A sua insípida carniça.
Creio que irão matar-me.
Sinto-me desprotegido, frágil, inútil.
Sinto-me sem amor, sem dor e sem desejo.
Já não sei o que fazer,
Procuro a solidão
Para que a minha trágica energia
Não contagie as pessoas.
Para que o meu olhar
Não cruze com os demais.
Assim terei meus próprios sentimentos,
Meu próprio coração,
Que a cada despertar
Encontra o silêncio.
Estou surdo e cego,
Estou inválido.
Submeto-me ao inoportuno desespero,
Ao incômodo calar.
Viver agora dói,
Não mais a quero.
Bruno Grossi Poeta e Artista – MG
A minha arte não é contemplável. É visceral. É negra. A parte oculta da mente possui a essência da dor. Para mim, o mundo é obscuro, cinza e degradante... O ato de associar a angústia contida num universo paralelo com o tempo real é bastante inspirador. Na minha arte, se destacam as lacunas contidas nas frases, nos traços, nos movimentos e na sutileza das palavras mortas.
Bruno Grossi é mineiro nascido em 1979. Poeta, videomaker e artista. Teve poemas publicados no Brasil e do Exterior. Recebeu prêmio e participou de festivais com seus trabalhos de vídeo-arte. Está lançando seu primeiro livro de poemas "O Grão Imastigável". E
www.caoxadrez.com/brunogrossi
Bruno Grossi nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. E é dessa terra, dessa gente, que busca suas inspirações. Como aconteceu com muitos mineiros, desde criança se envolveu com a literatura e com a arte.
Começou escrevendo, desenhando e lendo tudo que podia. Poemas, contos, quadrinhos. Além disso, produzia fanzines, tocava em várias bandas e divulgava a cultura e a arte. Criou a Revista Nota Independente, com o objetivo de alavancar e incentivar todo tipo de expressão artística.
O cinema, a ilustração e a pintura completam as áreas de atuação desse artista interdisciplinar e multimídia. Nas artes visuais, produz vídeos-arte e curtas-metragens experimentais e complexos, já premiado em festivais. Na literatura, viaja pelo que há de mais íntimo em seu ser. Caminha pelos sentimentos mais profundos e pela emoção. Navega pelo trágico... Para ele, dentro de cada ser há uma célula depressiva e má, há certo auto-desprezo, que surge da retraída angústia que vive em nosso interior. Isso o inspira e o envolve, fazendo-o escrever o que realmente sente, transformando-o em um “o outro”. Um outro completamente instigante e envolvente.
Cactos
A sombra me persegue
Sob a névoa.
Não consigo me mover.
Sou incompreendido,
Preso em um muro
Ou em meu próprio pensamento.
Meus olhos já não fixam em algum lugar,
Como a lua pára para te olhar.
Estes vilipendiados olhos
Doem, choram e imploram
Para que fiquem só.
Não consigo me livrar
Do infortúnio calar.
Sinto pessoas a me olhar,
Como um animal devora
A sua insípida carniça.
Creio que irão matar-me.
Sinto-me desprotegido, frágil, inútil.
Sinto-me sem amor, sem dor e sem desejo.
Já não sei o que fazer,
Procuro a solidão
Para que a minha trágica energia
Não contagie as pessoas.
Para que o meu olhar
Não cruze com os demais.
Assim terei meus próprios sentimentos,
Meu próprio coração,
Que a cada despertar
Encontra o silêncio.
Estou surdo e cego,
Estou inválido.
Submeto-me ao inoportuno desespero,
Ao incômodo calar.
Viver agora dói,
Não mais a quero.
A sombra me persegue
Sob a névoa.
Não consigo me mover.
Sou incompreendido,
Preso em um muro
Ou em meu próprio pensamento.
Meus olhos já não fixam em algum lugar,
Como a lua pára para te olhar.
Estes vilipendiados olhos
Doem, choram e imploram
Para que fiquem só.
Não consigo me livrar
Do infortúnio calar.
Sinto pessoas a me olhar,
Como um animal devora
A sua insípida carniça.
Creio que irão matar-me.
Sinto-me desprotegido, frágil, inútil.
Sinto-me sem amor, sem dor e sem desejo.
Já não sei o que fazer,
Procuro a solidão
Para que a minha trágica energia
Não contagie as pessoas.
Para que o meu olhar
Não cruze com os demais.
Assim terei meus próprios sentimentos,
Meu próprio coração,
Que a cada despertar
Encontra o silêncio.
Estou surdo e cego,
Estou inválido.
Submeto-me ao inoportuno desespero,
Ao incômodo calar.
Viver agora dói,
Não mais a quero.
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